quarta-feira, outubro 26, 2005

Todos convictos de qualquer.
Sem mínimo.
Gota na testa, pensante, a escorrer.
Luzes turbulentas.
Um semáforo triste.
Turbilhão de vozes serenas de imposição rompante.
Fragmentar ineficácia e estilhaços.
Vidros de sangue pulsante.
Morno dia decai.
Decair de mãos pouco dadas.
Significados transformados em ausências.
Pisa-se forçosamente.
E repisa-se.

Os mais indistintos momentos podem transformar-se em cantinhos de páginas a lamber sem fôlego.

sábado, outubro 22, 2005

O peso da conotação esmagadora dos tempos idos, desaparecidos num recôndito suspiro de pouco alívio. O peso da conotação suada de quando a toda a energia se esgotou o empurrar as muralhas do castelo invisível, para de desidratadas ideias e convicções se reter a exaustão num desistente tornado de paralisia. O peso da conotação mórbida dos passos mudos, ocos, desistentes, pelos fantasmagóricos corredores. Passos pesados de morte sem conotação.
Acordo no lar casulo e recupero o torpe narcisismo típico da larva. Deixo um rasto de grude pegajosa pelos instantes percorridos enquanto me arrasto circularmente pelos seus confins vazios. Nutro-me de ligeiros aconchegos, de temperatura, de harmonia, de semi-sonhos. Transcrevo-me desalojado de divisão exterior esquecida e cubro a percepção com esta mole carícia finita de ócio vendado. Evito a divisão interior esquecida e infinita.

Acordo no lar casulo enquanto evito acordar.
Módulos de satisfação redespertam módulos de insatisfação, descomprime-se o almirante do barco sem mar, vira-se a página para se reler um branco interrogação, e as feridas tremem, perante a vontade de abrir e fugir ao caos de ambiguidades. Senta-se sempre a crítica, na cadeira que nos esquecemos de arrumar. Vem sempre o vento bafejante de carícias cortantes de gélidas. Na garrafa, a mensagem perdida. Dissipada. Tinta invisível em mares sem almirante em suficiência. Grandes arpoadas de Natureza quinam sem determinismo. Ondulação.

Calmaria. Um ontem que é hoje, na visita ao contemplar. O brinquedinho infantil de neve e vidro, que alguém parou de agitar. Escala-se o abismo sem pressa, e recupera-se um esconderijo escuro. Cláusulas de expressão nocturna redefinem o tratado da paciência. Mãos dadas com o ar, sem procurar tactear. Expressionismo apaziguado. Por quanto tempo?

As buscas animalescas lá fora, na vegetação selvagem, em rodopio de passados-presentes. Um pião de confronto. E todo este tempo perdido, sou eu.
E a facilidade com que por aí se pega em formatos pré-concebidos, socialmente ergonómicos, de design manchado pelo estereótipo tradicional e conclusivamente limitado. Assolam-se terras, planetas inteiros, de uma doença leve mas condicionante, uma constipação da visão além-corpos e métodos rotineiros. Despromove-se a reflexão numa dança que guia os passos solitários, esquecidos das asas metafísicas. Despromove-se a riqueza em todo o seu infinito reluzente, e sucedem-se gritos de guerra, gargantas sem rumo, colunas estereofónicas sem vontade própria.

Obedece-se. Uns aos outros.

Apetece-me fechar os olhos com pálpebras de verdade e injectar várias doses de mim mesmo. E ouvir para lá desta cacofonia. E sonhar para lá deste pesadelo. E viver para lá desta morte.

domingo, outubro 09, 2005

Cuidado com:

Aquele procurar incessante, com olhos de um condor de fome desértica emparedado pela planície.
Aquele chupar diário da mesma fruta, alvejando as brechas do caroço enorme.
Aquele agarrar à corda que queima enquanto não se evita, apenas abranda, a descida pelo abismo.
Aquele suspirar um insuficiente "enfim", de quem reencontrou, atrás do sofá, uma pecinha do puzzle.
Aquele viciar nas pausas dos esforços, enquanto se compilam fragmentos de fadiga.

sábado, outubro 08, 2005

Visita a memórias do genérico.

Muitas letras perfeitas em torno, orbitais novelas de um mundo escondido nos outrém. As teias de uma rede vital apaixonante, tão mentirosa áspera quão estupidamente graciosa avassaladora, uma rede sem ausência, só buracos de espreitar. Buraquinhos funis de lavagem à alma sem piedade, fuzis execuções do castrante, em bang bang's não surdina.

É só uma vontade de poder ser chato no enquanto. Permitir-me o ímpeto mundano real, em medidas poucas, na progressão pouco estrita. A fase de Renascimento, desde pequenas a grandes minúcias comportamentos opções.

O âmbito dos durantes, muitos bah's, virar o disco. Um sono tortuoso a pingar as pautas. O aborrecimento na mensagem aborrecida de opostos. A brisa a reler-me incómoda.

Já não sei há quanto tempo milenar virei as páginas por escrever.
Enquanto. Desdobram-se as vertentes múltiplas unas, poucas de tamanho. Precisa-se a informação inqualificável, em estéticas. Mapeia-se de mundos para mundos, na função apenas. Pavoneiam-se fragmentos da arte nunca. Quando a agitação subtrai o nexo. Frémitos infiltrados num controle necessário. Estabilidade de prelúdios, abstraídos de ritmos coisas gritos. Labaredas pendentes no infernal próximo. Uma cidade em chamas por pisar, o momento eterno sufocado, passo a passo, fuga a fuga, o olhar atento do contínuo no jardim despovoado, um limite de raízes. O limite.
A exploração da banalidade. Infernos sem esforço. Gatos pingados cinzas. Gota queimada e felina, sórdida sem patamares - só mistério a nú e quente.

Apaguem a vela que dói.. Murmurem patamares de ilusão fácil. Escale-se a nem por isso subida com meias de desterro degredo. Derrame-se um suor sem queixa.

Construam-se artimanhas, por um Algo superior sem existência, física ou outra. Descredibilizemos o sentido. Amemos frígidos. Raspemos as lascas ceras escamas peles.

Banalizemos a exploração. Esforcemo-nos infernalmente. Caiamos lá do alto, em fila americana. O abismo estético sem pára-quedas. Um caixão final com entradas de ar.

A piada sem sarcasmo.
A foda sem orgasmo.
A vida sem marasmo.
Uma morte enquanto pasmo.
Relembrar.
Olhar saciar em volta sôfrega.
Puxar a perspectiva com um guindaste fracasso impaciência.
Opção sempre esquecida imponderada.
Esquecer.
(tentar)

Devia experimentar engolir umas vertigens. Seriamente planar refeito sorriso auto-alimento.
Escondam as vossas, redondezas... :) No típico pormenor organizado ou não de lavatório, à mão óbvia.

Refaçamos um mundo vago, interrompido, suíço esburacado vómito.

Degenerativos sem neuro-fantástico du monde, unissons-nous.

A Revolução, ao virar da esquina portal...

...se ela chegar entrementes, cancela-se o relógio e quiçá se mude de estado.

quinta-feira, outubro 06, 2005

A fenda que se abriu no ocupado espaço vazio, projectando filmes sem metragem.

Benvindos.

domingo, outubro 02, 2005

Lá fora a guerra sem cessar, fogo morteiro ferida grave.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Aguardo o vácuo em vácuo pouco ideal.
De ideias transformadas em impulsos, gota a gota.
Torneira que escorre em ideias. Desertos numa miragem canalização.

Lá fora a paz agressão contraste mágoa indolor.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
A produção extensiva em cadeados encadeados.
Voz letreiro virgem de nota timbre voz.
Palmilhado pé pela areia a fervilhar. Escorre a queimadura sem sangue.

Lá fora a imóvel confusão expectante, despachos risos brutos tristes.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Um céu pintura na terra a olho.
Uma orientação no véu repulsa narcisismo extremismo.
Um Islão de alma húmida encharcada. Escorre um ego constipado.

Lá fora o vento. O mar, o fogo. A insignificância escondida.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
O ar respiração proeminente elementar insignificante.
Os lugares-comuns afogados ardentes.
Escorrem noções estéreis de imaginação. Sem-abrigos num sexo lençol cobertor.

Lá fora, tudo nada insignificante.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido insignificante.
Amainar insignificante, resfolegar insignificante,
animar insignificante, deprimir insignificante,
por fora insignificante por dentro. Escorre insignificante.

Lá fora por dentro por fora,
tintas órgãos tintas,
tendas corpos tendas,
vidas mortes vidas.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido fechado.
E impedir que os atalhos se tomem, quando se está a varrer as ruas da cidade fantasma que nasce do aborto passeio em pés tortos tropeçados. As fragilidades, bonitas malditas.
Eu digo para além do meu além, mas nunca chego ao aqui.

Que aborrecimento de posts, mas querem o quê? Deixem-me foda-se, ninguém vos convidou. Deixem-me.

Revisitado casebre paranóico, céu de palha, madeira em vez de janela, mas sempre uma escassa memória aos traços miligramas poeira, um sempre cada vez mais perfeito. Dissertar instantâneo. Antevisão de um passado vindouro, revisão da metafísica, anos-luz ciclicamente. Atrás dos traços um papel por entre. Superfície pigmentada lisa e atrás. Raros eternos bons.

Não esquecer, não esquecer de rasgar o ar à volta e deslizar no papel por baixo escorrega bom charco mãe protectora de protecção risco feixe ácido corroente poluente.

Não esquecer, esquecer, esquecer, esquecer. Não esquecer, esquecer esquecer.
Esquecer esquecer esquecer.

Não evitar. Evitar evitar evitar.
O sagrado sacral desproporcionado aglomerado em mentiras de superficíes ao contrário.

Cá em baixo, a lua avessa. A finalidade sem. O brilho não.

A escuridão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão